Setembro Amarelo

No “Fala, Doutor” desta edição, a médica psiquiatra Dra. Raissa Fontenele Belchior, da Clinica Saúde BRB, falou um pouco mais sobre a campanha do “Setembro Amarelo” e a importância de falar sobre o suicídio e a prevenção do ato, além de doenças psiquiátricas e os trabalhos feitos pela Clinica no tratamento daquelas enfermidades. Confira o texto a seguir:

“Setembro Amarelo corresponde a uma campanha de prevenção ao suicídio implementada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2014. Neste período os monumentos históricos, pontos turísticos, espaços públicos e privados são iluminados de amarelo. O dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O suicídio é definido como  morte intencional ocasionada por uma pessoa que lesiona a si própria.  Trata-se de uma importante causa de morte evitável em todo o mundo, a qual resultou em número estimado de 817 mil mortes em 2016. É possível que as taxas de suicídio sejam subestimadas, com muitas mortes sendo registradas incorretamente.

Estima-se ainda que as tentativas de suicídio são mais frequentes do que os atos efetivados. Entre 25 e 30% dos suicídios são precedidos no ano anterior por uma tentativa, a qual serve como fator de risco clinicamente relevante para o comportamento suicida juntamente com as doenças mentais que muitas vezes não foram diagnosticadas ou não foram tratadas. Outros fatores de riscos são: desesperança, desespero, desamparo, impulsividade, gênero, idade, doenças não psiquiátricas, eventos adversos na infância e adolescência, história familiar e questões sociais. Observa-se que há diferenças no comportamento suicida entre os gêneros. Mulheres possuem uma taxa maior de tentativa do que os homens, os quais possuem maior taxa de efetivação do ato, visto que eles optam por métodos mais letais.

Dentre os transtornos psiquiátricos, os mais frequentemente associados ao suicídio ou a tentativas graves de suicídio são os distúrbios de humor (por exemplo, o transtorno depressivo e o transtorno afetivo bipolar) e as doenças com sintomas psicóticos, como a esquizofrenia. As abordagens medicamentosas e não medicamentosas são extremamente importantes na diminuição dos comportamentos suicidas. O cuidado e o apoio empáticos são críticos para a diminuição dos riscos. Sessões psicoterápicas individuais e em grupos, intervenções psicossociais e de educação podem ajudar os pacientes a aprender a lidar com as dificuldades.

As doenças psiquiátricas são enfermidades como qualquer outra patologia da medicina e precisam ser tratadas seriamente e sem preconceito que só serve para adiar a busca do tratamento e aumentar o sofrimento dos pacientes e de seus familiares, além de trazer prejuízos funcionais. É importante ressaltar que muitos pacientes precisarão manter o uso contínuo da medicação pela cronicidade das patologias e não por estarem dependentes dos remédios, como a maioria das pessoas pensam. Fazer acompanhamento psiquiátrico com uso de remédios não é sinônimo de fraqueza e motivo de vergonha, visto que buscar o tratamento na verdade é lutar pela melhora clínica e pela qualidade de vida.

A Clínica Saúde BRB possui profissionais qualificados que dão suporte aos pacientes com doenças psiquiátricas a partir dos 14 anos de idade, trabalhando no tratamento das doenças, evitando a piora clínica dos pacientes e prevenindo o suicídio. A equipe é composta por psiquiatras, inclusive especialistas em infância e adolescência, psicólogos, médicos da família e da comunidade e assistente social, além dos outros profissionais de saúde que estão sempre à disposição a colaborar na promoção e manutenção da saúde mental de todos os beneficiários. Desse modo, beneficiários e dependentes que estiverem passando por algum sofrimento psíquico podem entrar em contato com a Clínica para marcar uma avaliação médica”.

Referências

A Campanha Setembro Amarelo Salva vidas! Disponível em: https://www.setembroamarelo.com/. Acesso em: 22 set. 2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP). Suicídio: Informando para prevenir. Brasília: CFM/ABP, 2014.

AZCÁRATE-JIMÉNEZ, Leire et al. Repeated suicide attempts: a follow-up study. Actas Esp Psiquiatr. V. 47, n. 4, p. 127-136, 2019.

NAGHAVI M; GLOBAL BURDEN OF DISEASE SELF-HARM COLLABORATORS. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ. V.364:I94, 2019.

SHER, Leo; KAHN, René S. Suicide in Schizophrenia: An Educational Overview. Medicina. V. 55, n.7, E361, 2019.