DIABETES EM DIA

Novo Programa do SAÚDE BRB para cuidar melhor de você

Poucas doenças crônicas têm tanto peso na hora do diagnóstico como a Diabetes. A necessidade do uso diário de medicamentos para o resto da vida, e o medo de ver-se obrigado a restrições alimentares mais severas figuram entre os principais receios dos pacientes recém-diagnosticados com a doença, levando alguns deles até mesmo a negar o diagnóstico, abandonar o tratamento e seguir a vida como se nada estivesse acontecendo.

Atualmente, estima-se que cerca de 9% da população mundial conviva a diabetes, e essa taxa não para de aumentar [i] . O número de adultos com diabetes quadruplicou nos últimos 30 anos, passando de 100 para mais de 400 milhões de pessoas. Sinal dos novos tempos?

Envelhecimento da população, alimentação de má qualidade, sedentarismo, obesidade: são apenas alguns dos principais fatores que parecem ter contribuído para a importância crescente da doença no nosso século.

Com imensa morbimortalidade e desfechos incapacitantes associados, a Diabetes figura entre as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) mais prevalentes do mundo. Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde publicou esse mês suas metas para 2019 e o controle das DCNTs ficou em segundo lugar entre as prioridades globais de saúde, tendo como meta específica o combate à inatividade física – um de seus principais vilões. [ii]

Mas afinal quem é ela, e porque a Diabetes é tão preocupante?

A Diabetes é causada pela deficiência de um hormônio chamado insulina, ou por uma resistência aos seus efeitos. Esse hormônio é essencial no metabolismo da glicose no corpo, por isso pessoas com Diabetes não-tratada possuem um excesso de “açúcar no sangue”.

Existem dois tipos de diabetes: a do Tipo I – caracterizada por uma deficiência na secreção de insulina resultante de um processo imunológico, que em geral costuma acometer crianças e adultos jovens (embora possa ser desencadeado em qualquer faixa etária); e a do Tipo II – responsável pela grande maioria dos casos no mundo, resultante de um processo de resistência insulínica persistente: de tanto secretar mais insulina para tentar manter normais os níveis de glicose no sangue, o corpo acaba desenvolvendo a Diabetes.

Ao longo do tempo, um estado crônico de hiperglicemia no sangue provoca lesões da microcirculação, prejudicando o funcionamento de órgãos importantes como os rins, os olhos, os nervos e o coração. Pacientes com Diabetes Tipo 2 não diagnosticado ou não tratado têm risco maior de apresentar acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periférica do que pacientes sem o diagnóstico.

Os pacientes que conseguem manter um bom controle da glicemia têm uma importante redução no risco de desenvolver tais complicações, e é por isso que é tão importante detectar a doença precocemente.

O objetivo do tratamento da diabetes é manter o nível de glicose no sangue o mais próximo do normal. Esse tratamento tem, portanto, como base uma alimentação com baixa ingesta de carboidratos e outros tipos de açúcares (que se transformam em glicose no sangue), além do o uso de medicamentos hipoglicemiantes e da atividade física regular.

Ah, mas eu nunca senti nada…

A Diabetes é uma doença “silenciosa”. Enquanto os primeiros sintomas do Diabetes tipo I costumam surgir de forma repentina e com maior intensidade, os sinais do Diabetes tipo II são mais difíceis de serem percebidos, o que pode atrasar o diagnóstico. Os sintomas podem ser pouco aparentes ou mais inespecíficos, como cansaço, tonturas e sensação de visão turva. Algumas vezes só irão surgir quando a doença já está avançada, numa situação de descompensação aguda grave, ou quando a pessoa já desenvolveu alguma lesão em um desses órgãos.

Estudos mostraram que que cerca de 17% dos adultos já possam ter tido infarto do miocárdio silencioso no momento do diagnóstico de Diabetes tipo II [iii].  Outro estudo realizado em 25 países da Europa descobriu que ao menos 50% dos pacientes que apresentaram doença arterial coronariana já apresentavam Diabetes (22%) ou metabolismo de glicose comprometido (36%) quando chegaram ao cardiologista [iv].

Além desses, outras complicações graves da Diabetes como a insuficiência dos rins (que pode levar à necessidade de hemodiálise) e comprometimento da retina (podendo levar à cegueira) também não aparecem da noite para o dia: são progressivas e muitas vezes já irreversíveis no momento do diagnóstico. Outro exemplo é a neuropatia diabética e as complicações vasculares periféricas, que são insidiosas e podem levar a amputações permanentes de pernas e membros.

Ou seja, pra que esperar acontecer o pior se nós já estamos carecas de saber que a Diabetes aumenta esses riscos e já sabemos o que fazer evitá-los?

Por isso é importante estar sempre atento às rotinas de rastreamento recomendadas.

Tá, então como eu faço para saber em que pé anda meu açúcar? Preciso dosar o tempo todo?

A rotina de controle glicêmico irá depender de cada caso, se o paciente já possui ou não a doença e se apresenta fatores de risco aumentados para desenvolvê-la. No Saúde BRB temos um Programa chamado “Saúde em Dia” que garante o rastreamento oportuno e gratuito da principal população-alvo entre os beneficiários, contribuindo para o diagnóstico precoce da doença. Para pacientes que já receberam diagnóstico de Diabetes, 2019 traz uma novidade: o Programa Diabetes em Dia, que foi elaborado com todo o carinho para um cuidado mais próximo e individualizado desse grupo de pacientes. Vamos falar dele mais adiante.

Para saber se você tem Diabetes, atualmente existem 3 exames reconhecidos pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia como padrão-ouro para o diagnóstico[v]: a glicemia de jejum (dosada no laboratório após 8h de jejum); a hemoglobina glicosilada (HbA1C); e o Teste de Tolerância Oral à Glicose (que toma aquele líquido doce e repete após 2 horas) – também conhecido como curva glicêmica. O exame de glicemia ocasional (que fura a pontinha do dedo) também é aceito em casos agudos, quando há presença de sintomas clássicos.

Em pessoas jovens e sem fatores de risco, o rastreamento pode se repetido em até 3 anos; enquanto para aqueles que têm fatores de risco aumentados, ainda que seja apenas a idade, ele deverá ser feito anualmente. Indivíduos com diagnóstico atual de Pré-Diabetes, Obesidade, ou Síndrome Metabólica; histórico pessoal de Diabetes Gestacional, Síndrome de Ovários Policísticos; ou histórico familiar de Diabetes (de qualquer tipo) estão entre os grupos que precisam ser acompanhados mais de perto, com maior frequência.

Para os pacientes que já têm a doença, o médico poderá pedir que sejam feitos controles de glicemia capilar periódicos ou diários para avaliar o tratamento, e o controle desses resultados será acompanhado pela equipe de saúde.

E se meus exames de rotina estiverem alterados, por onde eu começo? Como faço para fazer parte desse Programa Diabetes em Dia?

A primeira etapa é procurar o(a) seu(a) Médico(a) de Família ou Médico(a) Geriatra de referência na Clínica Saúde BRB. Ela(a) fará sua avaliação inicial em relação aos demais Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares, como hábitos de vida, histórico pregresso e doenças subjacentes; e solicitará os exames necessários para avaliar seu estado geral de saúde (laboratoriais, oftalmológico, e eventualmente exames de imagem ou cardiológicos, de acordo com o risco individual). Você também participará de uma avaliação pela equipe de Enfermagem e de Nutrição, e poderá ser encaminhado para o acompanhamento conjunto da equipe de Endocrinologia e de Cardiologia da Clínica.

O cadastro no Programa é automático: basta que você tenha recebido diagnóstico de Diabetes e que esteja realizando seu acompanhamento com um profissional de saúde da Clínica. Esse cadastramento será realizado periodicamente pela equipe com base nos dados do seu prontuário.

As consultas com a equipe de saúde serão, estando indicado ao menos 1x a cada 6 meses no caso dos pacientes que estão com a doença compensada, e chegando a ser semanais para pacientes que estão em fase de ajustes que exigem um cuidado mais próximo, como no início do uso da insulina.

Ih, mas eu vou precisar usar insulina?

Alguns pacientes irão precisar utilizar a insulina em alguma etapa do tratamento, para outros ela não será necessária.  Na maioria das vezes isso não poderá ser previsto no início, pois depende de como a doença irá evoluir em cada indivíduo e como ele irá responder à dieta e aos remédios orais. Mas apesar de gerar alguma angústia devido à via injetável subcutânea, o receio da insulina não deve ser um limitante para o tratamento, pois atualmente temos insulinas com ótimo perfil de eficácia e menor incidência de efeitos colaterais, garantindo um tratamento adequado e ao mesmo tempo confortável e seguro para o paciente. Novos medicamentos hipoglicemiantes orais também surgiram no mercado e hoje fortalecem o arsenal terapêutico com alternativas seguras e muito eficazes para controle da doença.

Então, agora que você já sabe tudo sobre a Diabetes e ela já deixou de ser um fantasma, não deixe de fazer seu acompanhamento regular de saúde e mantenha hábitos de vida saudáveis: essas são as suas principais armas para evitar que a doença se aproxime. Mas, se nada disso funcionou e você já está em tratamento, fique tranquilo que a Equipe Saúde BRB está pronta para te dar todo o suporte e o cuidado necessários.

 

Dra. Fernanda Gonçalves Ferreira Salvador
Médica de Família e Comunidade
CRM/DF 21322

* Referências

[i] NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC). Worldwide trends in diabetes since 1980: a pooled analysis of 751 population-based studies with 4·4 million participants. The Lancet 2016; 387: 1513–30.

[ii] https://nacoesunidas.org/oms-define-10-prioridades-de-saude-para-2019/amp/ [acesso em 21/01/2019]

[iii] Timothy M.E. Davis, FRACP; Ruth L. Coleman, MSc; Rury R. Holman, FRCP; for the UKPDS Group. Prognostic Significance of Silent Myocardial Infarction in Newly Diagnosed Type 2 Diabetes Mellitus. United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS) 79. Circulation 2013; 127: 980-987.

[iv] Bartnika, M. et al. Euro Heart Survey Investigators. The prevalence of abnormal glucose regulation in patients with coronary artery disease across Europe: The Euro Heart Survey on diabetes and the heart. European Heart Journal 2004; 25 (21): 1880–1890.

[v] Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018; Org. José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. São Paulo: Editora Clannad, 2017.